Sobre Ela

Tem dias que ela nem aparece, mas em outros eu só sinto ela, o dia inteiro, sem me dar trégua. Quanto mais o tempo passa, mais latente ela fica.

Ela chega me apertando quando sei que hoje alguma amiga está casando, algum sobrinho fazendo aniversário, algum parente passando por dificuldade ou só quando eu penso neles.

Dias certos dela aparecer são domingo e terça, que penso que estaria em meu lugar favorito da cidade.

Quando eu saí de casa, eu sabia que ela insistiria e viria junto e não me deixaria assim tão facilmente. Tento enganá-la fazendo um brigadeiro, ligando o Facetime, mandando e recebendo fotos, mandando e recebendo e-mails, mensagens, mas ela só cresce.

Tento aprender diariamente a conviver com ela, e me consolo pensando que chegará um dia que todos vamos viver em um lugar em que ela não mais existirá. Estou ansiosa por esse dia e grata por todos esses que tenho aprendido a viver com ela.

 

Música sobre ela:





Ramadan e a nossa vida

Estou aqui em um sábado mega preguiçoso, por que aqui, sábado tem cara de domingo, por que a semana começa no domingo e termina na quinta. E pra mim, esse fato é um dos quais eu tenho mais dificuldade de me acostumar.
Chega domingo eu fico toda empolgada para fazer mil coisas, terminar os trabalhos, falar com os clientes no Brasil, e fico total no vácuo, porquê todos estão curtindo o domingão. haha. E na sexta é o contrário, eu já nos churrascos e afins e a galera no Brasil (e na maior parte do mundo) ainda trabalhando.

Por falar em diferenças culturais, fiquei pensando muito no privilégio que é morar em um país laico. Aqui apesar de nada de outras religiões ser proibido (podemos ter cultos, missas e qualquer outro tipo de manifestação religiosa, sem nenhum problema), somos totalmente influenciados pela religião muçulmana. Eu acho legal pela experiência de viver e aprender coisas novas, mas eu acho um saco por ser obrigada a isso.

Desde o dia 18 começou o Ramadan. Que é o mês que eles jejuam o dia inteiro do nascer ao pôr do sol. Claro que nós, que não somos muçulmanos, não precisamos jejuar, mas não podemos comer nada, nem beber nada durante esse horário de jejum em lugares públicos. Nenhum restaurante abre, nada que venda comida ou bebida. Eles só começam a abrir no fim do dia, e ficam abertos até umas 2h da manhã. Então nesse mês só podemos jantar fora, cafés da manhã e almoços ficam mais restritos à hotéis que têm autorização de deixarem alguns de seus restaurantes funcionando por esse período.

O legal desse período é que os restaurantes e os hotéis fazem eventos para o Iftah e o Ghabga. Iftah é a refeição feita para quebrar o jejum, normalmente são coisas leves, como tâmaras e um copo de água. Depois fazem mais uma oração (no Ramadan eles tem um momento de oração a mais), e depois da oração vem o Ghabga que é a refeição maior, onde eles confraternizam com a família e amigos, em um banquete beeeem farto. Soube que o que sobra desses banquetes, não podem ser reutilizados no dia seguinte. Tudo é doado aos pobres e necessitados. Eu adoraria participar desses eventos em uma casa árabe muçulmana bem tradicional, mas ainda não tenho nenhuma amiga árabe muçulmana, por isso eu acho legal os hotéis oferecerem essa experiência. Assim que eu for, eu mostro fotos. Me sigam nas mídias sociais! hahaha

Fora a questão de não poder beber e comer em locais públicos, durante o Ramadan também não vende nenhum tipo de bebida alcóolica. Então, tivemos que fazer um estoque para esse mês. Mas fora isso, nada muda na minha vida. Felipe tem chegado mais cedo em casa, por que grande parte das pessoas estão viajando para seu país de origem, então o trânsito melhora muito na ponte (arábia saudita-bahrain) e ele também tem saído cedo para almoçar em casa, já que não pode comer no trabalho e fica por aqui de vez.

Estou curtindo muito isso tudo que estamos vivendo e estou muito feliz por estar vivendo isso com Felipe. Deus tem nos ensinado muitas coisas nesse tempo, nos dado amigos muito legais e uma vida bem tranquila. Eu sei que sempre acabo meus posts falando isso, mas meu coração mais uma vez é só gratidão.

Mês 1.



Hoje eu me dei conta que faz um mês que cheguei aqui de volta para ficar pra sempre. Gosto de marcar datas. Acho legal para fazer uma análise de tudo que passou, de tudo que aprendi e de tudo o que ainda tenho que aprender, fazer, explorar.

O tempo aqui passa muito rápido. Não sei se é por que a semana começa no domingo e acaba na quinta, ou se é por que tudo é novo pra mim, ou se é por que simplesmente o tempo tem passado rápido mesmo e até eu chegar aqui ainda não tinha percebido por estar sempre contando as horas para estar perto do meu amor novamente. Ooooin.

É muito legal conhecer um lugar com os olhos de quem vai morar ali. É diferente de quando você visita. O visitante tem esse olhar de admiração, de querer absorver o máximo possível com certa pressa, de tudo ser novo e tão diferente. Quando você sabe que ali será seu lar por um certo tempo, tudo é mais devagar, mais comum. Você não só admira, mas tenta se encaixar ali naquele cenário novo. Eu gosto muito desse exercício, que nada mais é que a adaptação.

Nesse primeiro mês já sei andar por onde preciso ir toda semana, supermercados, restaurantes, salão de beleza, casa das amigas. Fora isso, o Google Maps me ajuda muito. Já sei também os melhores
horários para ir nesses lugares. Já tenho um restaurante favorito (mas isso muda quase toda semana). Já não me assusto tanto com as mulheres de abayas e niqabs, já acho super normal mesmo, mas sempre me impressiono com elas comendo com aquele véu na frente. Já tenho uma certa rotina no dia a dia. Já entendo melhor o inglês dos indianos e do filipinos. Já não morro de calor toda vez que saio de casa (apesar do verão não ter chegado ainda). Já frequentamos churrascos bem legais! Já dirigimos de norte a sul do país (o que levou 40 minutos. hahaha). Já entendo bem melhor a cultura e me sinto mais completa por isso. Já faço parte de grupos de whatsapps de pessoas muito legais que promovem eventos e encontro divertidíssimos. Já estou começando a ter clientes para serem fotografados, o que me deixa muito feliz e animada.

Enfim, tem sido um mês de muito aprendizado e descanso. É muito bom saber que tenho uma casa pra cuidar, pra deixar a nossa cara e pra chamar de nossa. Isso é muito importante pra mim. Ter um lugar nosso, pode ser em qualquer lugar do planeta, mas ele tem que existir. E ele existe e como eu sou grata.

Preciso escrever aqui com mais frequência. Cada vez que eu saio de casa, eu penso em um assunto legal que eu gostaria de contar e acho que vocês gostariam de saber. Vou tentar vir com mais frequência, mas vocês podem me acompanhar também no meu perfil do Instagram (@marimagno), no perfil lindo que eu tenho com a Carol e com a Ana (@d3em3) e no meu novo vício Snapchat (marimagnodaumas). Mas eu volto em breve. Tá?


Novidades nem tão novas



Há exatamente duas semanas eu cheguei ao Bahrain. Todos os dias fico pensando em vir aqui escrever, mas sempre tenho algo que me prende. Talvez seja o fato de eu ter realmente muitas coisas para colocar no lugar nessa nova rotina, ou talvez seja pelo fato de eu não saber muito bem explicar como tudo aconteceu e de forma relativamente tão rápida.

Como eu disse antes, estávamos esperando eu ter o visto para a Arábia Saudita para ir. Para isso precisava de uma carta da empresa de Felipe para que conseguisse ser emitido, mas vimos que isso não era nenhum pouco a prioridade da empresa, não vou entrar em detalhes por que são muitos fatores, mas no fim, vimos que teríamos que agir sozinhos para voltarmos a viver juntos.

Seria bem melhor eu ter vindo da maneira prometida pela empresa, por vários motivos, principalmente de burocracia de documentos e tal, mas estava complicado. E além da enrolação por parte da empresa, o consulado da Arábia Saudita no Brasil está com sérios problemas de comunicação com eles, temos um amigo está esperando o visto já tem quase 3 meses. Isso foi desanimando a agente. Sabe?

Há pouco tempo (acho que um mês atrás) o Bahrain começou a dar vistos de 3 meses aos brasileiros e se nesses 3 meses você ainda não conseguir sua residência e  quiser renová-los, é só sair do país e entrar novamente e terá mais 3 meses. Achamos que essa seria uma boa solução para nós por enquanto. O foco era ficarmos juntos do jeito que a gente conseguisse, já estava difícil de suportar a ausência um do outro.

Então compramos a passagem. Lembro que fiquei um tempo digerindo essa informação. Nem conseguia acreditar que eu ia de vez. Que finalmente iria recomeçar nossa vida juntos do outro lado do mundo. Veio ao meu coração um misto de sentimentos: esperança, saudade, medo, felicidade, tudo junto ao mesmo tempo.

Tratei logo de marcar minha festinha de despedida, por que eu precisava abraçar todas as pessoas queridas da minha vida que participaram tão perto dessa loucura que foi esse processo de mudança. E foi uma delícia estar ali com eles pela "última"vez ouvindo de perto tantos desejos bons para minha nova vida. Gratidão pela amizade, meus queridos! Você nem sabem o quanto foram e são importantes pra mim!

(faltou um monte de gente nas fotos, mas que estão no coração)

Mas enfim, depois de muita espera e 3 aviões, cheguei nos braços do meu amor. Cheguei na quarta, no domingo achamos nossa casinha, na outra quarta já nos mudamos, na sexta já demos um jantar pros amigos que fizemos aqui e agora duas semanas depois, já estou me adaptando a rotina da nossa nova vida, com o coração muito grato por estar vivendo essa experiência e poder compartilhar isso tudo com vocês.

Em breve farei mais posts sobre o dia a dia, a casa e tudo mais. Prometo não demorar tanto!

Deus cuida da gente do início ao fim, mesmo que a gente não acredite, mesmo que não pareça. Ele cuida. E sem Ele eu não estaria aqui. Obrigada, Paizinho.


Al Dar Islands

Nosso fim de semana começou tomando um café da manhã no Passion de novo (viciamos), e depois fomos visitar uma ilhazinha que nos foi recomendada e achamos uma ótima alternativa para um passeio. Achei engraçado isso de visitar uma ilha, já que o Bahrain é uma ilha também, mas existe outras ilhas perto dessa big ilha.

A Al Dar Island fica a uns 10km do centro de Manama, e para chegar nela você paga 26,50 dólares por adulto para a empresa de turismo da região de buscar e te levar em um barquinho.

A ilha é beeeem pequena, mas é linda a cor do mar é bem atrativa. Você pode passar algumas horas lá, o dia ou até dormir. Tem uns quartos e uns bangalôs por lá. Tem coisas pra fazer também como anda de jetski, aquelas bananas que faz com que todo mundo caia na água e etc. É uma ótima opção pra família! Gostamos muito. Andamos tudo tiramos fotos, tomamos uma cerveja e voltamos para o continente (que no caso também é uma ilha. haha).



De lá, fomos ao Souk. Mercado popular aberto. É tipo a Saara só que com coisas Árabes. Compramos presentinhos para o pessoal, conversamos um pouco com os lojistas e aproveitamos para conhecer também o Souk do Ouro. É uma parada muito difícil de explicar. Fiquei tão impressionada com a quantidade de ouro junta que nem lembrei de tirar fotos. Mostro na próxima vez.

Voltamos para casa mais tarde, vimos uns seriados juntos e conversamos bastante com nossos queridos anfitriões.

Bahrain - Parte 2

Depois que saímos da Mesquita, fomos almoçar com os nossos amigos (feitos através do Facebook), Carol e André e seu filhinho lindo Noah. Nós gostamos deles logo de cara. Super prestativos em tirar todas as nossas dúvidas, e nos deram dicas maravilhosas, compartilharam das experiências deles vivendo por aquelas banda ha mais de 3 anos, e abriram sua casa para me hospedar. Uns fofos!

Sou muito grata a Deus por ter esse cuidado, de ter separado essas pessoas tão lindas especiais para nos receber. Ficamos na casa deles o resto dos meus dias no Bahrain e foi uma delícia! Pena que fui muito lerda e não tirei nenhuma foto com eles! Esqueci completamente! 

Do almoço, fomos para a fazenda de camelos. Camelos são bichos muito engraçados. Eles tem cara de metido e jeito de preguiçoso e tem um pêlo mega estranho. Foi muito legal vê-los de perto, Felipe então que adoro animais, se amarrou mais ainda. A entrada lá é franca e é um lugar muito legal para levar crianças. Se você quiser, pode montar neles e dar um trocadinho pros cuidadores.







No domingo Felipe foi trabalhar e eu me mudei do hotel para a casa da Carol e do André. Meu quarto e a vista lindona! 


Durante a semana fiquei passeando com Carol, conheci a cunhada dela e suas sobrinhas lindas, que também moram por lá, e também nos deram várias dicas bacanas. Visitei bairros, shoppings e mercados da cidade e vi como são as coisas no dia a dia. Foi bem legal ter ido lá antes de ir morar para sempre. É legal ter uma noção melhor do que me espera. 




A Grande Mesquita


Não sei quanto a você, mas eu quando estou em outro país, fico muito interessada em aprender sobre os costumes e cultura dele. Gosto de saber o que as pessoas comem, como elas vivem no dia a dia e como elas se relacionam. Acho que assim aprendo mais sobre o ser humano, diminuo muito meus preconceitos e me torno uma pessoa mais compreensiva e mais aberta ao novo e ao diferente.

Quando se trata de um país bem diferente da nossa realidade, essa minha curiosidade é multiplicada. Fico querendo muito ter um amigo local para poder tirar todas as minhas dúvidas. Acho que é por isso que gosto tanto da ideia de morar em outro país e poder criar meus filhos em outros ambientes.

Ter ido à mesquita foi um dos pontos mais altos da viagem. Aprendi muito sobre a religião e a cultura muçulmana em menos duas horas. Se você for em algum país muçulmano algum dia, vai por mim, não perca essa oportunidade. Não fui quando estava no Senegal, e me arrependo.

Não tenho certeza disso, mas parece que todo país muçulmano tem uma Grande Mesquita. A maior do país. A do Bahrain é a Al Fateh, que é o nome do sheik gente boa que doou uns milhõeszinhos para que ela fosse construída. Ela é uma mesquita nova, tem 30 anos e cada coisa da construção dela, veio de um país. Os mármores vieram da Itália, os tapetes da Turquia, os lustres da França e assim vai.


A mesquita é toda iluminada por esses lustres de bolinhas, que segundo eles, é para fazer referência às pérolas que por muitos anos foi o meio de sustento dos pescadores do Bahrain. Dizem que as mais bonitas são de lá. E fora o lustre imenso que tem no centro na mesquita todo em Svarowisk. É muito lindo.

Felipe diz que eu coloco muita expectativa em cima das pessoas quando eu falo de uma comida que eu gosto muito (no caso o risoto de limão siciliano delicioso que ele faz) e dos lugares que eu vou, mas não consigo não manifestar meu encantamento. É uma coisa muito maravilhosa, que é meio impossível passar por fotos e muito menos por palavras tamanha a beleza da arquitetura e da riqueza do lugar.

A entrada na mesquita é gratuita e todas as pessoas que trabalham lá são voluntárias. Desde a moça da recepção até os guias. Todos muito simpáticos. Quando você chega lá, você é solicitado a colocar as vestimentas tradicionais, tanto mulheres quanto os homens e temos que entrar descalços. Tem voluntários também para te ajudar nisso.


Depois você espera um pouquinho até o seu guia vir e começar o tour explicativo, ele fala sobre a história da mesquita, sobre a religião, e passo a passo de como eles fazem as 5 orações diárias e tira toda e qualquer dúvida que você tiver e quanto mais dúvida você tiver, melhor pra você por que você vai saber mais coisas. haha.

Achei tudo lindo. A devoção que eles têm a Deus, o cuidado com o templo com a busca da paz interior e com a comunicação com o divino. Como disse, são 5 orações diárias que são feitas em horários específicos de acordo com a movimentação do sol. Você tem entre um horário e outro para fazer sua oração, que deve ser em direção à Meca (cidade da Arábia Saudita que tem uma tal de caixa preta importante, não entendi muito bem essa parte), e é a direção que o templo da mesquita também foi construída. Você deve estar bem limpo antes de começar a orar. Por isso tem banheiros com lavatórios em vários lugares por lá. Tem todo um procedimento de lavagem e de oração, que no caso são várias posturas de yoga e alguns dizeres cantados do Alcorão que você tem que repetir em cada postura. O nosso guia entoou lá pra gente e eu me emocionei. Resumindo orar é ótimo: você fica limpinho, se exercita e fala com Deus 5 vezes ao dia no mínimo. haha.


Depois de todas as explicações o guia deixa a gente tirar fotos. Se tiver em horário de oração eles não permitem você tirar foto das pessoas orando (o que pra mim seria muito tentador).


Ao sair você pode pegar um Alcorão lindão para você totalmente free. ;)

É imperdível visitar a Grande Mesquita. Só digo isso.











Abaya e Vestimentas

Antes de falar sobre a Grande Mesquita, achei importante fazer um post sobre a abaya.
Esse assunto sempre surge quando falo que vou me mudar pro Oriente Médio. Achei que vocês vendo minhas fotos na mesquita de abaya, ia rolar uma confusão. Sempre me perguntam: Você vai ter que usar burca?  E essa foi uma das perguntas que me fiz também. Então, assim que ficamos sabendo da possibilidade de nos mudarmos pra lá fomos investigar tudo na internet.


Bom, segundo a Wikipedia, "burca é uma veste feminina que cobre todo o corpo, até o rosto e os olhos, porém nos olhos há uma rede para se poder enxergar. É usada pelas mulheres do Afeganistão e do Paquistão, em áreas próximas à fronteira com o Afeganistão. Ela é um símbolo do Talibã."

Como não vou morar nesses países, não vou ter que usar burca. Grazadeus! Lá no Bahrain eu nunca vi uma mulher usando burca dessas de redinha nos olhos. Mas por ser um país muçulmano, a maioria das mulheres, apesar de não serem obrigadas pela lei do país, usam a abaya, em sua maioria cobrindo o cabelo com um véu (hijab). Conheci mulheres árabes que se vestem normalmente como nós de saia jeans e havaianas e sem nada na cabeça. É um país livre quanto à isso. Vocês podem ver nas minhas fotos ao longo dos posts, que estou me vestindo como me visto aqui no Brasil. O único momento que fui obrigada a usar a abaya, foi quando eu fui visitar a mesquita, o que eu achei bem legal!

Mas o que afinal é a abaya? A abaya é um vestidão com manga cumprida que vai até o chão. Existem milhões de tipo de abayas diferentes! Lindas! Bordadas, com strass svarowiski colados, de ceda, mais justas, mais rodadas, com bordados em ouro, com detalhes em outras cores e até mesmo coloridas. E elas tem váaarios estilos diferentes em como prender o lenço (hijab) na cabeça e vários apetrechos para deixar eles mais bonitos. Quando eu estiver por lá vou tentar pesquisar mais afundo sobre isso.

Eu fui comprar uma abaya e seus apetrechos, pois eu vou ter que chegar por lá pela a Arábia Saudita. Nesse país eles obrigam as mulheres (não importa nacionalidade nem religião) a usarem a abaya. 

Você não é obrigada a usar o lenço na cabeça, mas existe uma "patrulha da cultura" que pode olhar pra você e achar que você está distraindo muito os homens e pedir pra você colocar um lenço na cabeça. Então já acho mais fácil ir com o lenço para não ter que passar por essa situação. Os homens podem se vestir como quiserem sempre. Eles não distraem ninguém. Hahaha.

No interior da Arábia Saudita, as mulheres são obrigadas a usarem toda a vestimenta, que é composta pela abaya, o hijab e o niqab. Eu não vou precisar me vestir assim! 
Quer saber mais sobre isso vai no blog da Débora, uma brasileira que mora lá por aquelas bandas e tem posts mais completos e com mais propriedade que o meu. Aprendi muito com ela!




Então fui comprar já minha abaya pra chegar lá no esquema. 





Você não pode usar só a abaya, é preciso ter uma roupa por baixo, eu não sabia disso e achei muito interessante. Me fez eu colocar sentido em todas aquelas lojas caríssimas que vi lá no shopping. Passando pela Carolina Herrera, Tory Burch, Chanel eu só pensava: como essas lojas sobrevivem se elas só usam essa tal dessa abaya pra sair de casa? Descobri que elas tem que usar uma roupa por baixo e que quando só estão as mulheres, elas exibem as roupichas lindas uma para as outras. Elas são super ligadas em moda, ficava reparando nos sapatos maravilhosos, nas sacolas de compra, nas maquiagens impecáveis e no cheiro maravilhoso que elas sempre exalavam. 

Fiquei me perguntando por que tem que ser preta, e tem várias histórias, uma delas é que rolou uma guerra há anos e anos atrás, no início e as mulheres só que sobraram e ficaram de luto pra sempre. Outros dizem que o fato das abayas serem pretas é puramente cultural. Não há nada no texto que diga que a vestimenta tem que ser preta.

Eu particularmente, não acho o uso da abaya uma coisa ruim, é só bem diferente do que estou acostumada, e isso dá um susto na gente. Um dia, lá no Bahrain, eu tive que acordar cedo e ir ao mercado comprar nosso café da manhã. Meu cabelo estava indomável e estava com MUITA preguiça de tirar o pijama e pensei: Se eu tivesse uma abaya e um lenço agora eu iria assim mesmo pro mercado. Gente, tem coisa mais prática? hahaha. Por isso antes de achar que elas sofrem usando essas roupas, reflita na praticidade. Só fico mesmo com medo da época do calor, mas até isso a abaya pode ser útil e protejer sua pele do sol escaldante.

Se tiverem mais dúvidas sobre a abaya e outras vestimentas, é só falar!
Perguntas culturais eu adoro responder! haha

Bahrain - primeira visita

Oi amigos,

Antes de tudo, viram o vídeo que coloquei no último post?
Sim! Ótimo, pode continuar a e ler. Não? Clica aqui e vai lá.

Como eu disse no vídeo, fui para o Bahrain como o principal objetivo de fazer uma visita para o meu marido amado, de quem eu estava com muita saudade e dois meses sem ver. Felipe não mora no Bahrain ainda, ele mora na Arábia Saudita na casa da empresa, e continuará lá até eu ir. Eu não fui pra casa dele na Arábia Saudita por vários motivos, mas o principal dele, é que eu não tenho o visto, pois se eu o tivesse não estaria ainda aqui no Brasil. Sim. É esse bendito visto que estamos esperando.

Mas vamos ao que interessa: minhas impressões do Bahrain.

Cheguei ao Bahrain umas 20h de uma quarta-feira. Fui colocada de lado um pouquinho na imigração, e um moço me passou para um outro moço jovem que falava inglês e me perguntou o que eu estava fazendo ali, no que eu trabalhava, por quanto tempo eu iria ficar e respondi tudo falando a verdade. Ai ele foi lá conversar com um árabe mais velho que ligou pra alguém e ficou falando com esse álguem sobre mim. Sabia que era sobre mim por que ele falava essas palavras de vez em quando: "latinas", "wedding photographer", "brazil". Fiquei tensa, mas deu tudo certo. Você tem que pagar 70 dólares para seu visto (de 15 dias, depois pode renovar se quiser) ali no guichê da alfândega mesmo.

Para minha surpresa, Felipe estava me esperando! Não pude agarrar muito ele, porque eles não gostam muito que as pessoas se agarrem, mas agarrei um mucadinho. hihi. Comprei meu chip da Viva (lá é Viva e não Vivo. haha) por 5BDs (13 dólares),  com 5GB de internet e minutos free para o mês. Aluguei um carrinho também, esse foi 14 dólares a diária, não tem como você fazer muita coisa sem carro no Bahrain. #ficadica

Lá as pessoas não usam o Waze (aplicativo de mapa mega popular aqui no Brasil que a gente usa muito), que é um app colaborativo, então nos perdemos um pouco para achar o nosso hotel desse fim de semana, mas achamos. Era meio pobrinho o hotel, mas achei o custo benefício ok. Hotéis no Golfo são bem salgados. Quando vocês forem, fiquem na minha casinha!

Tomei um banho e fomos jantar em um restaurante meio americano por falta de tempo e sobra de fome pra procurar algo melhor. Felipe pediu uma cerveja, ribs e eu uma salada. Obs: Depois de dois dias comendo lá nos demos conta que poderíamos pedir sempre um prato para nós dois. Lá as porções são bem generosas, pelo menos pra gente.

No dia seguinte, Felipe voltou pra Saudi (Arabia Saudita) para trabalhar e eu fui tomar um brunch e explorar a cidade. Coisas que me chamaram muito atenção de cara: o trânsito é pior do que todos os trânsitos que um dia eu dirigi. As pessoas dirigem wild por lá. E eles param nas vagas como se não existissem aquelas marcações no chão. Várias vezes encontramos um carro ocupando duas ou três vagas e eu e Felipe toda hora apontávamos para essa aberração! haha! Vagas são coisas tão valiosas, amigos árabes!

Outra coisa que me chamou muito atenção, é claro, foram as roupas. Não adianta ver fotos, ou ver uma ou duas pessoas vestidas desse jeito, você irá sentir um baque quando você for ver pela primeira vez 70% das pessoas no shopping vestidas de vestidos, sejam homens ou mulheres. As mulheres com as abayas (em breve um post sobre abayas), pretas umas de lenços na cabeça e outras sem, umas tapando só o cabelo e outras o rosto inteiro. Os homens com vestidos branco, sandálias e um lenço muito legal na cabeça (Felipe com ele na foto ao lado). Não conseguia parar de olhar e eles também olhavam muito pra mim.

As pessoas são simpáticas, não tive problema de interação com eles. Felipe falou que em Saudi não é bem assim. Acho que é porque no Bahrain tem muitos estrangeiros, aí eles ficam menos fechadões.
Mas de qualquer forma, a não ser que você tenha amigos árabes, temos muito pouco contato com eles. Todas as pessoas empregadas de lojas e restaurantes ou são filipinas ou indianas. Muito difícil achar um árabe trabalhando nessas áreas.

A terceira coisa que me chamou atenção foi o clima. Estava delicioso, fresquinho, ventinho, as vezes ventanias de não conseguir andar direito, mas muito agradável, apesar de SUPER seco. Fiquei muito grata a Deus por não ter ido no verão, onde segundo a Carol (minha amiga que mora lá) é muito pior do que do Brasil, coisa que é difícil de se imaginar. Vão me visitar de Dezembro a Maio, minha gente! Depois disso Dante chega. #ficaadica2

Felipe chegou bem tarde da noite para o nosso fim de semana. Lá o fim de semana começa na quinta e acaba no sábado. Domingo é segunda. Mega estranho isso, mas continuando... Fomos jantar em um restaurante delícia, mas como já era 23h, tivemos que ir no shopping mesmo. Mas o jantar estava muito bom. Já peço aqui desculpas, mas vou ficar falando de comida muitas vezes, por que é uma das coisas que eu mais amo em conhecer quando eu estou em outro país, onde mais gasto meu dinheiro e onde sou mais feliz e lá a comida era simplesmente MARAVILHOSA. Vale a pena morar lá só por isso. Hahaha. Nesse dia eu comi um cordeiro com arroz e um molho de iogurte com pepino delicioso. Aguando só de lembrar.

Nesse fim de semana conhecemos praticamente todos os pontos turísticos do Bahrain! haha! Fomos ao Museu do Bahrain, super interessante, conta um pouco a história do país e os costumes. Ele é bem modernoso e tem tem uma vista linda pro mar e pro skyline da cidade. Custa 1BD (R$8,60) por pessoa.



Depois fomos em uma fortaleza muito linda, Qal'at al Bahrain, construída pelos portugueses no século 13! Minha dica é ir no horário do pôr do sol, por que ai você pega a luz do dia e a iluminação da noite que também fica lindona! É de grátis!



Essa foi a nossa sexta.

No sábado, acordamos cedo e tomamos café num lugar delicioso, chamado Passion que fica em Adhlia, onde tem vários restaurantes bacanudos e uma ruazinha cheia de street arts. O Felipe pediu Humus com carne, não cansamos de Humus. Never. Poderia comer isso em todas as refeições do dia. Eu pedi pancakes mesmo, mas gostei mais do pedido dele.



De lá fomos na grande mesquita. E com essa informação eu paro por aqui esse post, por que ela merece um só pra ela.

Aguardem!
;)