Sobre ultras

Lendo o diário que minha mãe escreveu pra mim quando estava grávida, fiquei ansiosa para chegar na parte quando ela foi fazer a ultrassonografia para ver o relato dela sobre essa experiência que por fim, só aconteceu dois meses antes de eu nascer, e mesmo assim, a resolução da tela era tão ruim que ela não conseguiu confirmar se era mesmo uma menina que viria por aí.

Fico sempre muito surpresa e grata com esse avanço da tecnologia. Hoje, eu não consigo imaginar como seria viver uma gravidez sem as queridas ultrassonografias. Fiz a minha primeira ultra, que pra mim, até hoje, foi a mais importante delas, com 9 semanas de gestação. Quase que um mês depois que eu descobri que estava grávida. Estava muito ansiosa para saber se esse coraçãozinho batia forte, se aquela vida estava ali mesmo. Lembro que eu fiquei olhando para aquela tela, com aquela imagem esquisita, muito bolada (não consigo achar outro termo) por ver um ser ali dentro de mim. Felipe chorou, tirou foto e eu meio que ria muito de nervoso e pensava: "Caramba! Tenho dois corações batendo dentro de mim! Estou gerando um ser humano!" Gente! isso é muito sinistro! 

Depois disso, basicamente minha vida se baseia em ultras. hahaha. Só quero saber da próxima, e se eu fosse muito rica, arrisco a dizer, que compraria um aparelhinho daqueles para conseguir ver a criança todo dia se mexendo, coração batendo e tudo mais! Mas na vida real, por enquanto, faço ultras de mês em mês e cada uma delas tem uma importância específica e me conformo com os muito chutes e cambalhotas diárias que sinto por aqui.

A função da ultra, definitivamente, não é descobrir o sexo do bebê, mas é isso que eu passei a querer saber muito, quando vi que tudo estava indo bem com ele. No último mês, fiz uma que era mais de rotina mesmo e o médico deu o palpite que era uma menina, contrariando o primeiro palpite da ultra anterior que seria um menino. Achei o palpite do último médico mais coerente com os palpites e apostas em geral dos meus amigos, familiares and marido, e achei muito que era uma menina mesmo! Mas nessa última quinta (10/11), ao fazer uma ultra super importante nesse meio do caminho, chamada de morfológica, além de descobrirmos que estava tudo perfeito com o nosso bebezinho, descobrimos que seremos pais de um menino! E estamos muito felizes, principalmente em saber que ele está crescendo saudável, com as medidas todas certinhas. Que alegria!

Voltamos para casa, contando pra todo mundo que a ultra anterior e todos os palpites e feelings nos enganaram feio e que é o Noah que está chegando já já por aí. Depois fomos comemorar mais essa grande novidade na mais nova hamburgueria da cidade, com nossos corações muito gratos por esse privilégio tão grande que Deus nos concedeu. 

Tudo tão borrado, mas ao vivo é mais legal de ver e entender o que é o que! Juro! hehe

Tudo tão borrado, mas ao vivo é mais legal de ver e entender o que é o que! Juro! hehe

Nessa noite eu não consegui dormir bem. Não sei se por causa da falta de posição confortável, ou pela adrenalina de tantas novidades, da surpresa, do amor que cresce dentro de mim incontrolável por um ser que ainda nem conheço. Mal posso esperar para tê-lo em meus braços, quando nem vou mais lembrar dessas ultrassonografias. Mas por enquanto, curto muito ter ele aqui sempre comigo e me contento em esperar o próximo mês para o nosso próximo encontro através da telinha do médico.

 

Como tudo começou

Estávamos no início da nossa querida adolescência. Lembro-me perfeitamente quando eu olhei para ele pela primeira vez. Ele se escorava no corrimão que dava para o ginásio da nossa escola ao lado dos meus amigos de turma na hora do recreio. Não posso dizer que foi amor à primeira vista, mas naquela vista ali consegui ver um olhar muito sereno e tinha certeza que eu ia ser amiga daquele menino.

E foi assim mesmo, ficamos amigos, depois sentimos vontade de sermos mais. Namoramos por longos 3 meses (tempo de adolescente é outro) ou até as férias escolares chegarem. Elas chegaram e nos separamos. No ano seguinte continuamos amigos coloridos, daqueles que se abraçam com mais força e se beijam vezenquando.

Depois mudei de escola e nos separamos de novo. Sim, naquela época não existia internet, então namoros eram baseados em escolas e telefonemas super demorados. Nós nunca fomos de telefonemas, então ficamos baseados na escola mesmo. Depois dessa separação, nos falávamos muito raramente, até surgir a internet e conseguirmos nos comunicar através do MSN. Mas éramos só amigos. Acompanhamos a vida um do outro como amigos que se queriam bem e se amavam muito.

Quando voltei da minha missão na Suazelândia, tive uma vontade muito forte de vê-lo de novo. Liguei, marquei um encontro. Ele matou aula na faculdade pra ir me ver. Depois de alguns chopes nos beijamos e nunca mais paramos. 

2 dias depois falei que amava ele e ele falou que também. 2 meses depois pedi pra namorar com ele e ele concordou. 2 anos depois pedi pra casar com ele e ele disse que sim. 4 anos depois me encontro aqui esperando um filho (a) daquele menino lindo com o olhar sereno que conheci nos meus 14 anos de idade em uma escola que eu nem queria estudar. 

Dessa história tiro lições que quero passar para você, meu bem:

1. Esteja sempre atento ao seu coração. Ele pode te mostrar pessoas e coisas incríveis em um momento comum do seu dia.

2. Valorize sempre seus amigos e cultive a amizade que construíram. 

3. Se achar que deve fazer alguma coisa, faça. Ligue, beije, abrace, mande mensagem, e-mail. Faça o que estiver no seu coração.

4. Esteja sempre aberto a mudanças. Elas podem te trazer surpresas maravilhosas.

5. Não acredite no que seu pai disser sobre essa história, ele cisma em mudar algumas coisas que eu falo. :D

Casa Nova - Macaé

Voltei pra falar da nossa vida nova. Depois de 4 meses de volta, posso dizer que finalmente estou com um sentimento dentro de mim mais positivo de estar aqui. Ainda não gosto da ideia de estar no Brasil e ter que morar longe de tudo que eu mais amo do Brasil: minha família, meus amigos e minha igreja. Mas pelo menos, consigo vê-los algumas vezes no mês, e posso participar de momentos tão gostosos com eles. 

Acho que esse sentimento positivo tomou conta de mim, quando finalmente eu comecei a agradecer mais do que reclamar. Ver o lado de bom de tudo e menos o ruim. Tudo muda quando a gente muda nosso olhar e isso é libertador. Tente!

Tenho curtido muito nossa casa nova. E por isso, vou tirarando a poeira desse blog para falar dela, minha companheira diária, onde eu passo maior parte do meu tempo, onde trabalho, me divirto, e cuido. Essa de longe, tem sido a minha casa favorita que moramos até hoje. Não pelo lugar onde moramos, mas pelo apartamento, pelo prédio e pela qualidade de vida que ela nos proporciona.

Gosto de acordar de e dar de cara com esse mar, ter uma varanda ampla, e luz abundante na sala. Gosto que aqui em Macaé consigo fazer praticamente tudo andando de bicicleta. Tem uma ciclovia que corta a cidade inteira e consigo ir pra onde eu preciso pedalando.

Tenho mostrado um pouquinho da decoração que to fazendo beeeem lentamente aqui lá no meu Instagram (@marimagno) e no Snapchat (marimagnomacedo), bem do meio jeitinho, colorido e cheio de coisas penduradas nas paredes, que eu adoro e só consegui fazer mesmo no nosso primeiro apartamento e agora, pois nos outros eles já vinham todo mobiliados e tinha um quê mais de hotel do que de lar.

Ainda não temos nenhum cômodo totalmente pronto, mas assim que tiver, farei fotos para postar aqui. Mais pra ter tudo arquivado e documentado pra mim mesma. Fico um frustrada em pensar que não fiz isso nas outras casas...gosto de ter esses registros e poder rever e mostrar pra quem a gente ama, detalhes das nossas vidas em outros cantos. Vou mostrar alguns projetos DIY que temos feito por aqui também, por que adoro aprender e me inspirar com os outros e por isso gosto de compartilhar. :D

Mas resumindo, a vida nova é diferente. Não é nada do que eu esperava, nem melhor e nem pior, só diferente e as vezes a gente demora mesmo a se adaptar, a nos conformar.... Mas diariamente eu vejo a graça e o amor de Deus sobre as nossas vidas. Temos tudo em abundância e só temos o que agradecer mesmo.